Eu não posso mais olhar pra você, eu não te acho mas na rua, em ninguém eu vejo seus olhos de lince, eles não estão mas nos meus, eu desapareci junto com você, eu voltei e você não. Você evaporou no mundo e ninguém sabe em que viela você está. Você era pele, calor, loucura, irracionalidade, rebeldia, tragédia, um desvio esquisito, agora você é só uma idéia fixa, um desejo, um não existir, uma coisa abstrata que nem por um segundo em todo o tempo foi concreta, você é aquela imagem de um final e de um começo, com botões abertos, uma taça, árvores enfeitiçadas, um caráter dos diabos e um leve não acenado de uma meia porta do outro lado da rua, com uma vontade de sim. Isso não tem começo, nem história, nem final, é assim um querer, uma confusão, algo que nunca foi sequer uma possibilidade, ao menos um pensamento. Você desapareceu, e contra tudo que é lógico, isso me preocupa. Eu quero que você esteja bem, mas não acredito que esteja, quero que você esteja em paz, mas você não conhece essa palavra nem o significado dela, eu espero... espero que esteja... esteja alguma coisa, mas esteja, pelo menos que seu coração ainda bata, que você ainda respire, que pisque os olhos e que sinta calor, que você ainda exista. Apareça, apareça para mim, só de longe, apareça pra quem te procura, pra quem não sabe nada de você, só por alguns segundos, não importa em que estado de corpo ou de espírito, só apareça para concretizar o que todo mundo já sabe, apenas para um último olhar sem significado ou nem isso.
“E se me achar esquisita, respeite também. até eu fui obrigada a me respeitar." Clarice Lispector
sábado, 16 de maio de 2015
Uma falta
Eu não posso mais olhar pra você, eu não te acho mas na rua, em ninguém eu vejo seus olhos de lince, eles não estão mas nos meus, eu desapareci junto com você, eu voltei e você não. Você evaporou no mundo e ninguém sabe em que viela você está. Você era pele, calor, loucura, irracionalidade, rebeldia, tragédia, um desvio esquisito, agora você é só uma idéia fixa, um desejo, um não existir, uma coisa abstrata que nem por um segundo em todo o tempo foi concreta, você é aquela imagem de um final e de um começo, com botões abertos, uma taça, árvores enfeitiçadas, um caráter dos diabos e um leve não acenado de uma meia porta do outro lado da rua, com uma vontade de sim. Isso não tem começo, nem história, nem final, é assim um querer, uma confusão, algo que nunca foi sequer uma possibilidade, ao menos um pensamento. Você desapareceu, e contra tudo que é lógico, isso me preocupa. Eu quero que você esteja bem, mas não acredito que esteja, quero que você esteja em paz, mas você não conhece essa palavra nem o significado dela, eu espero... espero que esteja... esteja alguma coisa, mas esteja, pelo menos que seu coração ainda bata, que você ainda respire, que pisque os olhos e que sinta calor, que você ainda exista. Apareça, apareça para mim, só de longe, apareça pra quem te procura, pra quem não sabe nada de você, só por alguns segundos, não importa em que estado de corpo ou de espírito, só apareça para concretizar o que todo mundo já sabe, apenas para um último olhar sem significado ou nem isso.
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