quinta-feira, 7 de julho de 2011

Uma em duas..


... a cada dia estou mais do outro lado; aprendi o pulo-do-gato. A cada dia aumenta o meu poder de mudar - e a qualquer hora não volto. Deixo a outra aqui enrolada com minha vida, e para sempre fico no seu mundo, onde sou má e relaxada, sou vulgar, pinto as unhas dos pés de vermelho berrante e o cabelo de um louro medonho, dou um tapa na minha filha e cuspo no meu marido, deixo os malditos canários morrerem atolados na sujeira. E saio voando montada no meu gato ruivo, que é da banda das maldades, como eu.
Porque entre o sim e o não é só um sopro, entre o bem e o mal apenas um pensamento, entre a vida e a morte só um leve sacudir de panos - e a poeira do tempo com todo tempo que perdi, tudo recobre, tudo apaga, tudo torna tão simples e indiferente.

Lya Luft| O silêncio dos Amantes, capítulo 12

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